Quase acabado – CartaCapital

“Acabou, está feito, quase feito, talvez acabe.” Uma frase, repetida várias vezes durante uma peça Fim de Partidareforça o tom metalinguístico do texto escrito pelo dramaturgo Samuel Beckett na ressaca da Segunda Guerra Mundial e encenada pela primeira vez em 1957. Não se sabe ao visível se a frase se refere à própria peça ou à cultura, pois os atores várias vezes quebram a quarta parede e se dirigem ao público, enquanto o texto dialoga com as guerras e com o vazio existencial contemporâneo.

Com Termo de Partida, Beckett consolida o Teatro do Contraditório, deixando o naturalismo de lado e explorando a falta de sentido da existência humana. Ambientada em um cenário pós-apocalíptico onde, em um mundo em ruínas, quatro sobreviventes se encontram presos em uma rotina sufocante de violência e crueldade. Em um abrigo claustrofóbico no meio do zero, Hamm, interpretado por Marco Nanini, tem uma relação de subordinação física e emocional de seu fruto adotivo Clov, personagem de Guilherme Weber. Hamm sente prazer em humilhar e produzir demandas repetidas e cansativas para Clov, que passa o tempo dividido entre atender aos pedidos e ensaiar uma fuga.

O diretor da peça, Rodrigo Portella, consagrado por espetáculos porquê Tom na Quinta, Ficções e (Um) Experimento Sobre a Fanatismo, estruturou a atual montagem em três camadas. Na primeira está a relação entre o pai e o fruto adotivo. Na segunda, Portella vê uma parábola política, na qual Hamm seria um tirano facultativo, cujas autoridades se fundam no poder bélico e opressivo. Já Clov seria o corpo submisso, o soldado incapacitado de repouso. Reforce essa teoria de que o traje de Hamm ser cego (moralmente?) e passar a cena todo sentado em uma cadeira de rodas, incapaz de marchar, mas descansado. Clov tem supimpa visão, mas é incapaz de se sentar por alguma deformidade física, réprobo a permanecer em pé eternamente, sob o peso de um esgotamento corporal e emocional.

E entre os dois, uma…


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