Uma marmita de mesocarpo com mandioca oportunidade no meio de uma sessão de cinema. O fulgor de um smartphone na face de um ator no palco. Um pacote de salgadinhos estourando durante uma melodia interpretada ao vivo em um músico. Falta de noção ou novos hábitos?
O comportamento individual em salas de espetáculo, teatros e cinemas – espaços apresentados à experiência coletiva – tornou-se um tópico recorrente. E, para atores, cantores, psicanalistas e gestores culturais, em certa medida, preocupantes.
Antônio Fagundes faz, no sábado 18, o primeiro experiência sincero de Sete Minutos. A peça, que estreia em maio no Teatro Cultura Artística, problematiza a relação entre artistas e plateia. O texto, de sua autoria, foi escrito e encenado pela primeira vez em 2002. Tinha um tanto de premonitório.
Naquela idade, a presença dos celulares em nossas vidas era mais amena. Mas o ator já notava seus efeitos. “Os sete minutos do título se referem ao tempo que um testemunha conseguiria manter o foco. Hoje, esse tempo caiu para sete segundos, o necessário para se rolar a tela do celular”, diz ele a CartaCapital.
O que levou Fagundes a ortografar a peça foi a mesma constatação de que o leva a reencená-la: a percepção de que algumas pessoas estão perdendo na falta de foco. “O roupa de elas irem ao teatro não significa que saiam de lá com alguma coisa. E isso sempre me preocupou”, afirma o ator.
“Quando a indiferença ou o soído passam a ser tolerados, eles rapidamente se normalizam”, diz o psicanalista Luiz Nogueira
A peça é uma comédia sobre as agruras de um ator que está apresentando Macbeth, de Shakespeare, e, ao ter de mourejar com o estrondo vindo da plateia, decide deixar o palco, levando o caos aos bastidores.
“Queria dar um toque para essas pessoas sobre as coisas que elas estavam perdendo, das possibilidades de compreensão que estavam deixando para trás. Com isso, esperava que elas saíssem modificadas do teatro”, diz….







