O triste afeto da conciliação

O triste afeto da conciliação

Olá, você do porvir.

Dois dos pronunciamentos políticos mais importantes realizados no mês de abril deste ano de 2026 (embora não tenham repercutido uma vez que acho que poderiam ter repercutido) chamaram bastante minha atenção e me fizeram pensar na linguagem (e no ânimo) das conciliações que só fazem perpetuar a convívio de subalternização entre os dois por cento da população que saqueia a riqueza do país e o resto de nós, a tamanho endividada, precarizada e, na lógica da democracia representativa liberal, poli relevante somente nos períodos eleitorais.

A primeira revelação veio do depurado petista federalista Rui Falcão (ele foi presidente pátrio do Partido dos Trabalhadores entre 2011 e 2017), em conversa com o jornalista Breno Altman no meio do Youtube Opera Mundi, no dia 16 de abril de 2026.

Disse o deputado: “Nosso partido se distanciou dos territórios, faz disputa política a cada dois anos e não permanentemente. Houve uma certa burocratização dos setores da nossa juventude petista, excesso de institucionalização, luta institucional e parlamentar, e pouca formulação de porvir. Quero relembrar que a gente sempre colocou no núcleo do nosso programa mudar a sociedade em que vivemos… a juventude aspira a essas mudanças. Essa pesquisa [a pesquisa da agência AtlasIntel-Bloomberg apontou que 72% dos jovens brasileiros de 16 a 24 anos de idade desaprovam o governo Lula] mostra que eles desejam ter possibilidade de subida social, ter mais aproximação à cultura, ter melhores empregos (que não estão encontrando neste momento). E não se coloca isso uma vez que perspectiva de porvir. É uma coisa mais genérica, mas que expressa muito: é o sonho. É propriedade de todos os jovens, o sonho. […] Essa questão do símbolo do porvir, um porvir melhor, sonhar com o porvir, nós deixamos de lado. Quer expor, as coisas não se dão só na vida material, se dão também na…


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