O sol brilha do lado de fora e também dentro da galeria, onde se espalha pelo solo e cria um halo em torno das pinturas. Um artista Luiza Gottschalk mandou adesivar de dourado quase toda a extensão do espaço, criando ao mesmo tempo uma rota em torno dos quadros e uma estratégia de espelhamento.
Desde que a pintura existe, e ela é uma pintora na raiz, muito se fala de luz, do prestidigitação de sua construção sobre a tela, à voga assombrosa de Rembrandt ou Caravaggioà procura obsessiva por uma luz interna que atravessa a superfície do quadro ou atmosfera pura e dura, à maneira de Marcos Rothko ou o mais literal James Turrell.
Gottschalk, que tem sua mostra agora em papeleta na galeria Slag& RX, no Chelsea nova-iorquino, em paralelo à semana da feira Frieze, lembra ter desenvolvido em estreito contato com a mata atlântica no Brasil é conta que nunca tinha notado porquê o sol muda os dias e a vida de quem passa meses sem luz no insensível do inverno. Daí a teoria de terebrar sua exposição na primavera em Manhattanquando o sol volta a luzir e as ruas se acendem com os primeiros sinais de calor. É o sol na cabeça e nos quadros.
Essa luz transborda intensa já na pintura que abre a mostra, na vitrine da galeria externa para a rua. É a visão de uma floresta densa atravessada por um rio todo branco e claros vibrantes rosa-choque. Não é coisa etérea, inexplicável. Essa luz toda, uma teia de distensão e atravessamentos, é construída quase porquê arquitetura, num processo de pintura aplicada, tinta sobre tecido sobreposto à tela e depois arrancado, deixando essas cicatrizes por onde vazaram os núcleos, o branco do tecido e o revérbero do entorno.
São duas transações em paralelo, ou amalgamadas. É uma teoria de clareira, um espaço luminoso no breu da ramagem, e também um recorte cinematográfico, nas palavras da artista, um fotograma vibrante que se desprende de uma sequência na negrume.
Ela entende isso. Atriz de formação, uma das…







