Em meio aos shows de lançamento de seu novo álbum SadSexySillyMúsicasLetícia Novaes – ou Letrux, uma vez que é conhecida artisticamente – encontra refúgio em São Pedro da Lugarejo, cidade litorânea do estado do Rio de Janeiro onde costumava passar as férias na puerícia, que também a acolheu durante a pandemia de Covid-19; de lá, por chamada de vídeo, conversou com um Doutrinado.
Atenta à linguagem e aos detalhes do cotidiano, o artista carioca acha perdão ao observar os nomes dos estabelecimentos locais. “Em cidade pequena é muito jocoso caminhar olhando o nome das coisas”, comenta, citando exemplos uma vez que a panificação Pão e Pães eo estabelecimento Reginaldo Despachantes. Para ela, esse tipo de nome, direto e despretensioso, dificilmente apareceria em grandes centros uma vez que São Paulo ou Rio de Janeiro, onde, segundo diz, “tudo tem um nome em inglês”.
Essa atenção revela muito de sua forma de ver o mundo. “Paladar de observar palavras em jornais, revistas, livros – em qualquer lugar. Sempre percebo quais termos alguém escolheu usar, quais adjetivos uma cantora utiliza ao redigir sobre um show”, afirma. “Tenho uma relação muito potente com as palavras; é quase um fetiche. Fico olhando, prestando atenção.”
Escritora desde cedo, com hábito de redigir em diários e de ter a escrita uma vez que prática terapia, ela entrou para o curso de letras na Universidade Federalista do Rio de Janeiro (UFRJ) antes de se tornar cantora profissional. “Eu encontrei que quem gostava de ler e redigir fazia letras, mas não era muito assim”, diz, lembrando que o curso era voltado para a docência.
Filha de professora, Letrux permitiu o papel decisivo dos educadores – que protegeram sua juvenilidade “de se tornar um pouco trivial” – em sua formação, mas não quis seguir a profissão. Depois cursar três períodos, deixou o curso, sem deixar de considerar a influência em sua trajetória artística. “É difícil…







