“Filosófico, existencial e metafísico”: assim Donny Correia falou o horror na obra do diretor paulistano Walter Hugo Khouri na noite do último dia 31 de março, quando o crítico esteve ao lado da atriz Selma Egrei, do cineasta Joel Pizzini e da pesquisadora Laura Cánepa para o lançamento de seu livro Anatomia do Terror de Walter Hugo Khouri (Mínimo Múltiplo). A obra dá perpetuidade a seus estudos sobre o cineasta, que também resultaram em O cinema de Walter Hugo Khouripublicado no ano pretérito pela Cosac.
A breve irrupção de Khouri pelo cinema de gênero se dá primariamente em duas de suas obras: As filhas do queimaçãode 1978, e Ó criancinha da noitede 1974, que foi exibido em uma traslado em 35mm pela Cinemateca na ocasião do lançamento.
Em entrevista à Revista InstruídoCorreia celebrou a exibição porquê uma oportunidade de apresentar ao público a obra do diretor, que circula de forma marginal pelas redes em cópias científicas de baixa qualidade, copiadas de fitas VHS.
“O que falta é moeda”, explica o crítico. “Se houvesse um esteio financeiro na mesma proporção do que recebeu, por exemplo, as restaurações de Deus e o diabo na terreno do sol ou Sociedade anônima de São Paulopor meio de empresas ou editais, a família de Khouri — que detém os direitos de boa secção de seus filmes — certamente teria interesse em restaurar sua obra.”
Analisando de forma mais ampla a filmografia do diretor, Correia nota que os filmes de terror do diretor são justamente aqueles que abandonaram a cidade de São Paulo porquê tecido de fundo e os temas eminentemente paulistanos que marcam quase toda a sua filmografia.
Ele argumenta: “O horror em Walter Hugo Khoury não é meramente um serviço de entretenimento para aqueles que gostam do estilo. É um horror útil – filosófico, na verdade. As manifestações eventualmente sobrenaturais que sua obra indica são reflexos do próprio ímpeto dos personagens e do…







