No mês pretérito, quando fez uma retrospectiva de segmento importante de sua filmografia na Cinemateca Brasileira, Rodrigo Teixeira viu dois sentimentos se misturarem: a felicidade diante de o reconhecimento do caminho percorrido e a sensação de que, apesar dos 20 anos de sua produtora, ainda tem um pouco de “estranho no ninho” no cinema paulista.
Esse estranhamento remete ao princípio de tudo. Quando olha para trás no tempo, Teixeira se lembra muito da sensação de, num primeiro momento, não ter sido aceito no meio. “Por quê? Porque eu não fiz faculdade de Cinema, não era rebento de ninguém, não tinha trabalho em produtora de publicidade, não tinha sido assistente de direção, assistente de figurino, assistente de arte. Logo, eu não pertencia.”
Se não tinha feito zero disso, o que, finalmente de contas, ele queria no cinema? “Meu libido era produzir filmes fora do Brasil”, respondeu, explicando o trajectória atípico da RT Features, sua produtora.
A empresa que está nos créditos do primeiro filme brasílio a levar o Oscar, Ainda Estou Cá (2024), e do primeiro a lucrar o prêmio principal do show Un Certain Regard, do Festival de Cannes, A Vida Invisível (2019), é a mesma a nascer em longas-metragens de diretores estrangeiros porquê Noah Baumbach (Frances Ha), Luca Guadagnino (Me Chame Pelo Seu Nome) e Robert Eggers (A Feitiçeira e O Farol).
De James Gray, fez Ad Astra: Rumo às Estrelas (2019), Armageddon Time (2022) e, agora, Paper Tiger, com Scarlett Johansson e Adam Driver, anunciado na semana passada porquê um dos concorrentes à Palma de Ouro, de Cannes.
“Foram quatro anos muito difíceis. Cheguei a falar: não vou sustentar. Eu não fui resiliente nos 15 primeiros anos de RT. Fui resiliente de 2020 a 2024”
“Vim de uma escola tradicional em São Paulo, de onde, normalmente, as pessoas saem para ir trabalhar na Faria Lima”, segue explicando. “Sou de esquerda, mas minha família é de centro-direita, e…







