Provocação e lucidez. Quem acompanha a bem-vinda retrospectiva completa do Cinema de Ana Carolina que a Cinemateca Brasileira inaugura neste 22 de abril vai perceber que os filmes da diretora nunca desviam dessas duas características.
A elas podemos alongar algumas outras, mais ou menos presentes dependendo do filme: onirismo, palato pelo lúdrico e pelas repetições, brincadeiras com frases feitas e ditadas populares, sensibilidade sátira, centralidade nos problemas das mulheres, grandes interpretações de atrizes.
A filmografia da diretora não é extensa. São exclusivamente sete longas de ficção, realizadas entre 1977 e 2022. Antes deles, algumas curtas, dos quais o mais espargido é “Anatomia do Testemunha”, de 1975. E um longo documentário, “Getúlio Vargas”, de 1974.
O destaque da mostra vai, obviamente, para a chamada trilogia da exigência feminina, que atravessa duas fases distintas da produção cinematográfica brasileira.
O primeiro longo é “Mar de Rosas”, de 1977. É seu filme mais realizado e foi realizado nas fases mais ricas da Embrafilmeconsequentemente, quadra em que o cinema brasílico triunfou.
Um personagem de Norma Bengell entende que matou seu marido, papel de Hugo Carvanae resolve pegar a estrada com sua filha Cristina Pereira. Num posto, encontra um varão estranho, vivido por Otávio Augusto. Depois, numa pequena cidade no meio do caminho, todos caem na mansão das figuras vívidas de Ary Fontoura e Myrian Muniz.
O elenco ajuda a fabricar situações de um humor sem razão, em que o personagem de Pereira se torna incendiário, além de encher um quarto de areia, entre outras maluquices que a fazem prefulgir no filme.
O segundo da trilogia é “Das Tripas Coração”, realizada em 1982, quando a situação econômica do país, com a subida inflação, começava a dar sinais claros de que melhoraria a produção cinematográfica nos anos futuros, o que de roupa aconteceu.
Número definido…







