Sobre a mesa, são oferecidos um copo, uma garrafa e um instrumento fálico, itens que evocam libido, indulgência e hedonismo.
Alguns detalhes dessa cena, porém, maculam a atmosfera de celebração e criam uma paisagem de contornos surrealistas. A mesa é sustentada por quatro pernas que parecem tentar caminhar, enquanto a cadeira é repleta de objetos pontiagudos que fazem o movimento parecer uma máquina de tortura.
Na gravura de Randolpho Lamonierdor e prazer se entrelaçam para fabricar um cenário onde a morbidez convive com o erotismo. Não à toa, a tela faz segmento de uma série intitulada “Uma Noite de Paixão com Eros e Tânatos no Inferno”, ou seja, um encontro entre o deus da paixão e a personificação da morte na mitologia grega.
Esse mesmo trabalho também dá nome à exposição de Lamonier em papeleta na galeria Verve, na região meão da capital paulista. Com 26 obras, a mostra marca as duas décadas de curso do artista. O mineiro tem obras em acervos de instituições uma vez que MaspPinacoteca de São Paulo e Denver Art Museum, no estado americano do Colorado.
“Por meio dessa exposição, eu apresento um pouco dos caminhos que percorri ao longo da minha curso. Acabei ficando mais sabido nos últimos anos pela produção têxtil, mas trabalho com vários outros suportes.”
Lamonier de trajo chamou a atenção do mercado por estandartes que trazem mensagens costuradas sobre os dramas brasileiros, da violência à falta de oportunidades. O artista, porém, deu os primeiros passos na arte com gravuras, motivo pelo qual a série “Uma Noite de Paixão com Eros e Tânatos no Inferno” é o ponto de partida da exposição.
O trabalho traz ilustrações que ora geram fascínio, ora provocam espanto. “O paixão e o libido são atravessados por pulsões de vida e de morte”, diz o artista. “Esses desenhos falam de uma intimidade que acontece num campo de muita tensão.”
Em algumas das obras, a intimidade de espaços…







