Partindo da povoado de Lisvori, tradicional vila grega no sul da ilhota de Lesbos, a estrada desce, em curvas, em direção ao mar. O firmamento começa a clarear e, sob o ar fresco da manhã, notamos, entre as fragrâncias da vegetação, o olor rebuçado e suave do anis rastejador. Estamos no meio da ilhota, a terreno onde se produz o ouzo, destilado com sabor de anis que se tornou a bebida mais famosa grega no mundo.
Entre as oliveiras centenárias, avistamos uma filete azul além dos galhos. Ao mesmo tempo, as cristas das montanhas que circundam o profundo Golfo de Kalloni tingem de rosa, tocadas pela primeira luz da aurora. É dessa região, aninhada entre a costa e as montanhas, que vem aquele que é considerado o melhor anis do mundo.
“É um trabalho difícil”, diz Kostas Mattarellis de cima da debulhadora, quase gritando para se fazer ouvir. Ele mora em Lisvori, e a destilaria Isidoros Arvanitis, de Plomari, possui alguns dos campos cultivados por ele com a ajuda da família. A velha máquina segue as fileiras, avançando pelo campo a poucos metros do mar, separando os caules em forma de guarda-chuva das sementes.
“Veja”, diz Kostas, enquanto retira um buraco de sementes de um saco pleno, “estão perfeitas, nem úmidas nem queimadas pelo sol.” Ele fecha o saco e o atira a uma rima onde muitos outros estão acumulados. A maioria das destilarias da ilhota utiliza anis de Lisvori, disputando os campos considerados os melhores devido à proximidade da costa e à exposição ao sol.
“Você gosta de ouzo?”, pergunta Kostas. “Adoro tomar uma garrafa com os amigos, comendo juntos na povoado.” Na ilhota, é a cultura em torno da bebida que reúne as pessoas. Elas costumam bebê-la diluída em chuva, às vezes com gelo. Dessa forma, o licor perde a transparência, adquirindo sua propriedade cor branca.
Ali, o ouzo costuma ser servido nos ouzeri, escoltado de pequenas porções de comida típica, chamadas meze. Desvendar a cultura em torno do ouzo é…







