o documentário Ambrósio, rei do Campo Grande: o rei esquecido de uma história roubada que ainda ecoa, lançado pela Braia Produções

Documentário resgatado líder quilombola apagado da história de Minas Gerais

A história de Minas Gerais, marcada por disputas coloniais e ciclos econômicos, guarda lacunas profundas quando se trata da resistência negra. É nesse vazio que se insere o documentário Ambrósio, rei do Campo Grande: o rei esquecido de uma história roubada que ainda ecoalançado pela Braia Produções. O filme traz à tona a trajetória de Ambrósio, líder quilombola que comandou milhares de pessoas escravizadas na luta contra a diadema portuguesa no século 18.

Resultado de uma pesquisa minuciosa, que inclui mapas históricos, documentos de fontes primárias e obras clássicas, o documentário procura reconstruir uma narrativa silenciada por quase três séculos. A produção percorre mineiras diretamente ligada aos quilombos do Campo Grande porquê Cristais, Ibiá, Lavras, São João del-Rei, Prados e Formiga, territórios que testemunharam a organização e as resistências vencidas por Ambrósio.

Dirigido pelo músico e produtor cultural Bruno Maia, o filme nasce de uma inquietação antiga. Segundo ele, o contato com estudos sobre o personagem revelou não somente o poder de sua liderança, mas também o desligamento histórico ao qual foi transferido.

“Há uma vácuo entre a Guerra dos Emboabas e a Inconfidência Mineira, quase um século desligado. Foi nesse período que as lideranças quilombolas tiveram papel meão na formação do nosso povo”, afirma.

A obra também aposta na música porquê elemento narrativo. A trilha sonora foi construída em parceria com o violeiro e historiador Ivan Vilela, combinando composições originais com referências à cultura popular mineira. Entre elas, destaca-se a canção-tema “No breu do sertão, no escondido”, que atravessa o filme até lucrar força no desfecho.

Mais do que revisitar o pretérito, o documentário propõe conexões com o presente. Questões porquê luta pela terreno, racismo estrutural, violência simbólica e a urgência de reparos históricos parecem porquê…


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