O mal-estar na digitalização: Da ferida narcísica imposta pelas IAs ao risco de aniquilação

O mal-estar na digitalização: Da ferida narcísica imposta pelas IAs ao risco de aniquilação

Feridas abertas As revoluções tecnológicas e científicas sempre deixam marcas na cultura, fazendo-a se reinventar, provocando impactos que podem chegar a clamar por uma reconfiguração da própria experiência humana; elas dizem saudação tanto à economia libidinal e simbólica quanto à própria economia política – que são condições de possibilidade dos mesmos avanços. No século 17, a submissão da natureza ao símbolo matemático, ou a matematização do real, que não é fundamento da físico-matemática de Galileu Galilei, e que foi requisito de possibilidade para a revolução científica, representou uma restrição radical da estrutura da linguagem e de nossa formalidade porquê sujeita a partir dela. Essa renovação foi abordada por Sigmund Freud em “Uma dificuldade no caminho da psicanálise”, a partir do que ele considera porquê ferida narcísica – o impacto da ciência sobre quem consideramos ser, sobre uma autoimagem grandiosa e onipotente. É à luz dessa renovação que interrogamos o impacto da lucidez sintético diante da digitalização crescente, com algoritmos ocupando um lugar meão nas formas de sociabilidade e subjetivação. Freud esses três eventos fundamentais da modernidade. Primeiro, a astronomia de Nicolau Copérnico e a física-matemática de Galileu Galilei possibilitaram o entendimento de que a Terreno não é mais o núcleo do universo, e que o conhecimento científico depende da matematização do real, abalando o siso geral da crença e da vontade. Expõe que a terreno gira em torno do sol

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