Até a semana passada, a única coisa que eu sabia sobre um tal de Juliano Cazarré era que ele era um ator da Globo que fez muito rebento. Juliano aparentemente é católico fervoroso e acredita que filhos são enviados por Deus e que métodos contraceptivos iriam, portanto, contra a vontade de Deus. Ou pelo menos era isso que dizia três anos detrás, quando foi entrevistado pela revista Veja e afirmou não usar método contraceptivo qualquer. Hoje, com seis filhos, o ator e reprodutor em série parece ter mudado de teoria e afirmou que ele e sua esposa “não estão à procura de engravidar” e, por isso, passaram a usar a tabelinhamétodo contraceptivo com murado de 80% de eficiência. Parece que Deus, se assim desejar, terá que trabalhar dobrado para enviar mais filhos a Cazarré.
A pausa do guerreiro em sua missão de perpetuar a humanidade pode ter a ver com o projeto que ele acaba de lançar. Trata-se de O Farol e a Forja Summitapresentado uma vez que o “maior encontro de homens do Brasil” e definido por Cazarré uma vez que “uma retrospectiva para reflexão sobre o cenário de desamparo da figura masculina”.
É isso mesmo. De todas as palavras que esse varão poderia usar para descrever o estado em que a “figura masculina” se encontra, a escolhida foi esta: desamparo —ou, uma vez que sugere o léxico, estado de desleixo, falta de auxílio, proteção ou esteio, tanto material quanto moral.
A escolha da termo me parece irônica. Por fim, 2025 foi o ano em que os índices de feminicídio no Brasil bateram todos os recordese 2026 tem tudo para superar 2025. Por fim, as mulheres ainda ganham, em média, 21% menos do que os homens para exercerem a mesma função.
Não há incerteza de que a masculinidade está em crise —sobre isso, Cazarré e eu concordamos. O próprio propagação vertiginoso do pílula vermelha movimento é revérbero dessa crise. As estatísticas alarmantes relacionadas à saúde mental dos homens também.
A masculinidade está em crise porque o papel…







