Michel Laub: “Falar sobre um problema é uma forma de lidar com ele”

Michel Laub: “É um ensaio sobre coisas que me afligem pessoalmente”

“Qual o impacto de um livro confessional diante de um mercado onipresente, que uniformiza uma particularidade – a dissidência que poderia vir dela – para seguir explorando, poluindo, concentrando renda, precarizando o trabalho?”. Essa é uma pergunta medial em Verão na neblinanovo livro de Michel Laub, que chega às livrarias no dia 27 de abril pela Companhia das Letras. Entre memória pessoal e reflexão sátira sobre literatura, política e cultura, o responsável construiu uma narrativa em que a escrita aparece porquê tentativa de compreender – e passar – crises existenciais.

Depois dez livros publicados, entre eles o romance premiado Quotidiano da queda (Companhia das Letras, 2011), o redactor gaúcho radicado em São Paulo desenvolve uma espécie de experiência cultural e autobiografia. Ao revisitar episódios de sua própria vida, Laub articula memórias com reflexões sobre a trajetória do cantor e compositor Renato Russo e da obra do sul-africano JM Coetzee, explorando diferentes maneiras de transformar a experiência pessoal em linguagem literária.

O resultado é um livro – guiado “pelo concepção de verdade”, confessional, mas “um experiência também”, afirma Laub em entrevista à Letrado – que investiga a intimidação do responsável, tratando de coisas que o “afligem pessoalmente”. Ao mesmo tempo, os elementos particulares apresentados em Verão na neblina “têm ressonâncias maiores”: ao debater o lugar do redactor contemporâneo.

Na entrevista a seguir, Laub fala sobre o caráter terapêutico da escrita, os limites entre confissão e elaboração literária, e o duelo de produzir uma narrativa pessoal em um contexto no qual, segundo ele, esse tipo de voz encontra cada vez menos espaço de escuta e visibilidade.

Verão na neblina pode ser considerado um experiência autobiográfico?

Tudo o que está ali é guiado pelo concepção de verdade, com um ou outro ajuste para preservar a intimidação de outros…


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