Muito antes de a missão mirim Miguel Oliveira, de 15 anos, ganha visibilidade nas redes sociais com vídeos de pregações e supostas curas espirituais e se voltar núcleo de um debate pátrio sobre a exposição de crianças na internet – caso que levou à mediação do Recomendação Tutelar e ao seu retiro do envolvente do dedo, em 2025 –, seu xará, o cineasta Miguel Antunes Ramos, já voltou sua câmera para esse universo.
O ano era o de 2016. O País fervia com o impeachment de Dilma Rousseff e a política passando a incorporar uma gramática religiosa explícita. Os deputados votaram “em nome de Deus”, enquanto o incremento evangélico deixou de ser exclusivamente oferecido sociológico para se tornar força política. Foi o desconcerto diante desse cenário que levou o documentarista a se aproximar de um universo frequentemente tratado porquê distante.
Seu libido não era explicar o mundo evangélico, mas olhe-o com alguma permanência. Assim, encontrei a aspecto dos pregadores mirins, mas não vejo uma tensão difícil de disposição. Avante de um tanto que lhe pareceu “terrífico, contraditório e interessante”, entendeu que era preciso, mais que julgar, observar.
É nesse ponto que surgem Daniel e João, meninos que, desde muito cedo, aprenderam a ocupar púlpitos e a menear a vocábulo com desenvolvimento incomum. Daniel, em privativo, impõe-se porquê figura meão.
Quando Antunes o encontra, ele não é mais uma petiz prodígio que encantava fileiras nos templos, mas um jovem em crise, deslocado de um lugar que antes da garantia de identidade e reconhecimento. Crescer, cá, também está perdendo o palco. Ou melhor, o púlpito.
A câmera acompanha esse processo com vagar. Não há impaciência em explicar, muito menos em reprovar. E o que se revela, aos poucos, é menos o espetáculo da pregação e mais o cotidiano de famílias periféricas atravessadas por limitações materiais e por estratégias de sobrevivência que passam pela fé.
Em…







